ÍSIS SEM VÉU
H.P.Blavatsky
Compilação: Mário J.B. Oliveira


DA GESTAÇÃO DO ÓVULO HUMANO. (L. 2. pág. 92).

Qual é a forma primitiva do futuro homem? Um grão, um corpúsculo, dizem alguns fisiologistas; uma molécula, um óvulo, dizem outros. Se pudéssemos analisá-lo - por meio do espectroscópio (instrumento para formar e analisar visualmente o espetro ótico de um corpo.) ou de outra maneira -, de que deveríamos esperar vê-lo composto? Analogicamente, poderíamos dizer, de um núcleo de matéria inorgânica, depositada pela circulação na matéria organizada do germe ovário. Em outras palavras, este núcleo infinitesimal do futuro homem é composto dos mesmos elementos que uma pedra - dos mesmos elementos que a terra, que o homem está destinado a habitar. Moisés é citado pelo cabalista como uma autoridade devido à sua observação de que a terra e a água são necessárias para um ser vivo, e portanto pode-se dizer que o homem surge primeiro como uma pedra.

Ao cabo de três ou quatro semanas, o óvulo assumiu as feições de uma planta, tendo uma extremidade se tornando esferoidal e a outra, cônica, como uma cenoura. Na dissecação, descobre-se que ele é formado, como a cebola, de lâminas ou películas muito delicadas que encerram um líquido. As lâminas se estreitam na extremidade inferior, e o embrião pende da raiz do umbigo como uma fruta do ramo. A pedra transformou-se agora, pela metempsicose, numa planta. A criatura embrionária começa então a projetar, de dentro para fora, os membros, e a desenvolver as suas feições. Os olhos são visíveis como dois pontos negros; as orelhas e a boca formam depressões, como os pontos de um abacaxi, antes de começarem a projetar-se. O embrião desenvolve-se num feto semelhante ao animal - na forma de um girino - e, como um réptil anfíbio, vive na água, e desenvolve-se a partir daí. Sua Mônada não se tornou ainda humana ou imortal, pois os cabalistas nos dizem que isso ocorre apenas na "quarta hora". Sucessivamente, o feto assume as caraterísticas do ser humano, a primeira agitação do sopro imortal passa através de seu ser; ele se move; a Natureza lhe abre caminho; introdu-lo no mundo; e a essência divina estabelece-se no corpo da criança, onde habitará até o momento de sua morte física, quando o homem se torna um espírito.

Este misterioso processo de formação, que dura nove meses, os cabalistas o chamam de conclusão do "ciclo individual de evolução". Assim como o feto se desenvolve do liquor amnii no útero, do mesmo modo os mundos germinam do éter universal, ou fluído astral, no útero do universo. Essas crianças cósmicas, como os seus habitantes pigmeus, são inicialmente núcleos; depois óvulos; depois amadurecem gradualmente, e se tornam mães por sua vez, desenvolvem formas minerais, vegetais, animais e humanas. Do centro à circunferência, da vesícula imperceptível aos últimos limites concebíveis do cosmos, esses gloriosos pensadores, os cabalistas, seguem os traços dos ciclos que emergem dos ciclos, que contêm e são contidos em séries sem fim. Desenvolvendo-se o embrião em sua esfera pré-natal, o indivíduo em sua família, a família no Estado, o Estado na Humanidade, a Terra em nosso sistema, este sistema no universo central, o universo no cosmo, e o cosmo na Primeira Causa: - o Infinito e o Eterno. Assim caminha a sua filosofia da evolução:

"Todos são parte de um Todo Admirável,

cujo corpo é a Natureza; e Deus, a Alma".

"Mundos incontáveis

Repousam em seu regaço como crianças".

Para um estudante de filosofia oculta, que rejeita por sua vez o método de indução por causa dessas perpétuas limitações, e adota plenamente a divisão platônica de causas - a saber, a eficiente, a formal, a material e a final, assim como o método eleático de examinar qualquer proposição dada, é simplesmente natural raciocinar do seguinte ponto de vista da escola neoplatônica: 1º) O sujeito é ou não é como se supõe. Portanto, perguntamos: O éter universal, conhecido pelos cabalistas como "luz astral", contém eletricidade e magnetismo, ou não? A resposta deve ser afirmativa, pois a própria "ciência exata" nos ensina que entre esses dois agentes conversíveis que saturam o ar e a terra há uma constante troca de eletricidade e magnetismo. Resolvida a questão n.º 1, teremos que examinar o que acontece - 1º) a ela em relação a si. 2º) a ela em relação a todas as outras coisas. 3º) a todas as outras coisas, em relação a ela. 4º) a todas as outras coisas em relação a si mesmas.

RESPOSTAS. 1º) Em relação a si. As propriedades inertes previamente latentes na eletricidade tornam-se ativas sob condições favoráveis; e num dado momento a forma magnética é dotada pelo agente sutil e penetrante; e num outro, a forma da força elétrica é adotada.

2º) Em relação a todas as outras coisas. Ela é atraída por todas as outras coisas com as quais tem alguma afinidade, e repelida pelas demais.

3º) A todas as coisas em relação a ela. Ocorre que todas as vezes em que entram em contato com a eletricidade, elas recebem a impressão desta na proporção de sua condutividade.

4º) A todas as outras coisas em relação a si mesmas. Sob o impulso recebido da força elétrica, e proporcionalmente à sua molécula mudam as relações entre si; elas se separam forçosamente de modo a destruir o objeto que formam - orgânico ou inorgânico - ou, se anteriormente perturbadas, são postas em equilíbrio (como nos casos de doença); ou a perturbação pode ser apenas superficial, e o objeto pode ser impresso com a imagem de algum outro objeto encontrado pelo fluído antes de atingi-lo.

Para aplicar as propriedades acima ao caso em questão: Há diversos princípios bem-reconhecidos da ciência, como, por exemplo, e de que uma mulher grávida está física e mentalmente num estado de facilmente se sugestionar. A Fisiologia diz-nos que as suas faculdades intelectuais estão enfraquecidas, e que ela é afetada num grau incomum pelos eventos mais corriqueiros. Seus poros estão abertos e ela exsuda uma respiração cutânea peculiar; ela parece estar num estado receptivo e todas as influencias da Natureza. Os discípulos de Reichenbach afirmam que o seu estado ódico é muito intenso. Du Potet recomenda tomar-se precaução ao mesmerizá-la, pois teme que se lhe afete a criança. As doenças da mãe a atingem, e ela com freqüência as absolve inteiramente; os sofrimentos e prazeres daquela regem sobre o seu temperamento, assim como sobre a sua saúde; grandes homens têm proverbialmente grandes mães, e vice-versa. "É verdade que a imaginação da mãe tem uma influência sobre o feto", admite Magendie, contradizendo assim o que afirma em outro lugar; e ele acrescenta que "o terror súbito pode causar a morte do feto, ou retardar o seu crescimento".

Éliphas Lévi, que é certamente dentre os cabalistas uma das maiores autoridades sobre certos assuntos, diz: "As mulheres grávidas estão, mais do que as outras, sob a influência da luz astral, que concorre para a formação das suas crianças, e lhes apresenta constantemente as reminiscências de formas de que estão repletas. É assim que mulheres muito virtuosas enganam a malignidade dos observadores por semelhanças equivocas. Elas imprimem com freqüência sobre o fruto de seu casamento uma imagem que as arrebatou num sonho, e assim as mesma fisionomias se perpetuam de geração a geração".

"A utilização cabalística do pentagrama pode por conseqüência, determinar a fisionomia das crianças por nascer, e uma mulher iniciada poderia dar ao seu filho os traços de Nereu ou Aquiles, assim como os de Luiz XV ou Napoleão".







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