ÍSIS SEM VÉU
H.P.Blavatsky
Compilação: Mário J.B. Oliveira


OS ELEMENTAIS E OS ELEMENTARES. (L.1.pág.154).

Estamos longe de acreditar que todos os espíritos que se comunicam nas sessões são das classes "Elementais" e "Elementares". Muitos especialmente entre aqueles que controlam o médium subjetivamente para falar, escrever e agir de diferente maneiras - são espíritos humanos desencarnados. Se a maioria de tais espíritos é boa ou , depende largamente da moralidade privada do médium, bastante do círculo presente, e muito da intensidade e objetivo de seu propósito. Se este objeto é meramente satisfazer a curiosidade e passar o tempo, é inútil esperar qualquer coisa de sério. Mas, seja como for, os espíritos humanos jamais se podem materializar in própria persona. Eles jamais podem aparecer ao investigador vestido com uma carne sólida e quente, com mãos e faces suarentas e corpos grosseiramente materiais. O mais que eles podem fazer é projetar seu reflexo etéreo na onda atmosférica, e se o toque de suas mãos e vestes em algumas raras ocasiões pode tornar-se objetivo aos sentidos de um mortal vivo, ele será sentido como uma brisa que passa acariciando gentilmente pelo ponto tocado, não como uma mão humana ou um corpo material. É inútil alegar que os "espíritos materializados" que se exibem com coração pulsante e vozes fortes (com ou sem trombetas) são espíritos humanos. Uma vez ouvidas as vozes - se tais podem ser designados como vozes - de uma aparição espiritual, dificilmente se consegue esquecê-las. A de um espírito puro é como um murmúrio trêmulo da harpa eólica ecoando à distância; a voz de um espírito sofredor, portanto impuro, se não totalmente maus, pode ser assimilada à voz humana produzida dentro de um tonel vazio.

Essa não é a nossa filosofia, mas a de numerosas gerações de teurgistas e de mágicos, e baseada em sua experiência prática. O testemunho da antigüidade é positivo a este respeito. As vozes dos espíritos não são articuladas. A voz do espírito consiste numa série de sons que produz a impressão de uma coluna de ar comprimido subindo de baixo para cima, e espalhando-se ao redor do interlocutor vivo.

Por enquanto repetiremos apenas que nenhum espírito que os espiritistas afirmam ser humano conseguiu prová-l o com testemunhos suficientes. A influência dos espíritos desencarnados pode ser sentida e comunicada subjetivamente por eles aos sensitivos. Eles podem produzir manifestações objetivas, mas não podem manifestar-se senão da maneira acima descrita. Podem controlar o corpo de um médium, e expressar seus desejos e idéias por meio das diversas maneiras bem conhecidas pelos espiritistas; mas não materializar o que é imaterial e puramente espiritual - a sua essência divina. Assim, toda pertença "materialização" - quando genuína - é produzida (talvez) pela vontade daquele espírito que a "aparição" procura ser mas que no máximo pode apenas personificar, ou pelos próprios duendes elementares, que são geralmente demasiado embotados para merecer a honra de serem chamados de demônios. Em raras ocasiões, os espíritos são capazes de subjugar e controlar estes seres sem alma, que estão sempre prestes a assumir nomes pomposos quando deixados à vontade, casos em que o espírito turbulento "do ar", figurando na imagem real do espírito humano, será movido pelo último como uma marionete, incapaz de agir ou pronunciar outras palavras que não as impostas a ele pela "alma imortal". Mas isto requer muitas condições geralmente desconhecidas até mesmo dos círculos espiritistas mais habituados a freqüentar as sessões. Nem todos são capazes de atrair os espíritos humanos que desejam. Uma das mais poderosas atrações de nossos finados é a sua forte afeição por aqueles que deixaram na Terra, e que os impele irresistivelmente, pouco a pouco, para a corrente da luz astral que vibra entre as pessoas simpáticas a eles e a alma universal. Outra condição muito importante é a harmonia e a pureza magnética das pessoas presentes.







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